domingo, 13 de maio de 2007

Questão habitacional continua prioridade para Vila Santa Casa


Questão habitacional continua prioridade para Vila Santa Casa

A comunidade, que já se chamou Caldeirão do Diabo, tem a urbanização total como principal meta para a nova diretoria


Ontem foi dia de confraternização na Vila Santa Casa, na Encruzilhada. Os moradores foram à sede da Associação de Moradores para prestigiar a posse da nova diretoria e conselho fiscal, que continuará tendo como principal objetivo a conquista de moradias dignas para toda a comunidade. A eleição ocorreu em setembro do ano passado, com chapa única.
“Aqui sempre é chapa única, a gente decide em consenso porque todos lutam juntos pelo bem-estar de todos”, explica Aldenora Maria de Jesus, que mora com toda a família na comunidade desde 1987 e é a única presidente da história da Associação, que fundou em 1990.
A associação nasceu da necessidade dos moradores de lutar pela melhoria das condições de vida no local, que segundo moradores antes era só capim e um grande lamaçal com alguns barracos. As primeiras lutas foram pela implantação das redes de água, esgoto e luz. Em 1992, ao conquistarem mais um direito, o de mudar o nome do local para Vila Santa Casa (antes, ela se chamava Caldeirão do Diabo) houve uma grande festa com batizado. A área da Vila antes pertencia à Santa Casa de Misericórdia de Santos, e em uma reunião de moradores para decisão de um novo nome, o atual ganhou. Como a Santa Casa concordou em ceder o título, foi feita a homenagem.
Os projetos de moradia começaram a tomar forma por meio de reivindicações da associação junto à Companhia de Habitação (Cohab). Foi feito um cadastro dos moradores e começaram os projetos. O primeiro prédio, chamado Aldenora Maria de Jesus, em homenagem a presidente da associação, foi entregue em 28 de setembro de 1996, data em que todo o sistema de saneamento básico já havia sido finalizado com “muito esforço, garra e coragem”, nas palavras da homenageada.
A Vila Santa Casa abrange uma área que vai da rua Comendador Martins a avenida Washington Luís. Muitos moradores já estão morando nos prédios da COHAB e mais 80 apartamentos serão construídos para abrigar os que ainda estão na área de favela. “A luta não pára, a gente tem que lutar por esse povo até a hora que todos tenham uma moradia digna”, diz Aldenora que hoje mora no último prédio entregue pela Cohab, em 2006.
A confraternização é um momento de encontro dos moradores, como Maria do Carmo Barbosa, moradora da Vila há 33 anos que hoje mora no alojamento e aguarda a entrega do próximo prédio, onde terá um apartamento. Para Maria do Carmo, tudo melhorou depois que Aldenora chegou à comunidade e sem seu esforço, pouco teria mudado desde a época dos lamaçais.
Cláudia Maragoni, presidente do Conselho Municipal das Entidades de Bairro do Santos (Comeb), esteve na posse e explicou que a função do Comeb é dar um acompanhamento às entidades e facilitar seu trabalho e comunicação com a Prefeitura. O conselho existe desde 1984 e, segundo Cláudia, há 64 sociedades e associações cadastradas na Cidade (contando com a área continental). Cerca de 50 delas são atuantes.
Mariana Felippe de Oliveira

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