
A maioria dos estudantes de Administração sonha em trabalhar em uma grande empresa e ser um executivo de sucesso. Aline Ferraz, de 22, não. Na visão dela, ter sucesso é trabalhar transformando realidades. A estudante da Fundação Getúlio Vargas (FGV) caminha na direção do empreendedorismo social, uma escolha difícil de se imaginar há 10 anos, mas que hoje vem se tornando uma forte tendência, principalmente entre os jovens.
Para a universitária, ser empreendedor social é idealizar alternativas inovadoras para a sociedade, levando em consideração as questões econômicas, sociais e ambientais contemporâneas e criar negócios e alternativas que gerem resultados positivos para a sociedade. “Se os negócios continuarem sendo elaborados apenas para gerar lucro, independentemente de seu impacto social, em alguns anos a desigualdade no mundo será muito mais vergonhosa”, afirma a estudante, que durante dois anos esteve à frente da organização estudantil Conexão Social, da FGV, voltada à mobilização de jovens engajados na transformação da sociedade.
Aline acredita que todos precisam colaborar para esta mudança e pensar de forma abrangente. “É papel de todos criar alternativas para a sociedade como um todo, e não para pequenas parcelas dela”, afirma convicta. Segundo ela, cada vez mais jovens têm investido nessa área, pois crêem em seu próprio poder de mudança e “ainda não estão corrompidos pelas ilusões do mercado de trabalho”.
O empreendedorismo social nasce da idéia de que todas as pessoas, de qualquer idade, podem mudar o mundo, inclusive a partir de negócios que não têm apenas o lucro como razão de existir. Nos negócios sociais, o lucro é um meio, não um fim. Cada vez que nasce um novo empreendimento, surge também a esperança de se contribuir para uma nova realidade, em que as pessoas se relacionam diferentemente da sociedade de mercado. Para os idealizadores da assessoria de negócios Tekoha, que comercializa produtos artesanais e conecta as mais diversas comunidades e consumidores, o objetivo dos negócios sociais, conforme o site da organização, é criar "um sistema onde os valores humanos estejam em perfeita harmonia com os valores econômicos".
A idéia de investir nesse tipo de negócio é usar o que se tem de melhor para construir um mundo mais justo. Para que dedicar apenas o próprio tempo livre, de forma voluntária, para a transformação? Quem quer mudar o mundo deve fazer isso o tempo todo, por meio de soluções criativas e inovadoras. Essa é a filosofia daqueles que – assim como Aline - acreditam no empreendedorismo social.
O empreendedor social é uma pessoa visionária, criativa e capaz de avaliar os impactos sociais locais e globais, que sabe como trabalhar em redes distribuídas e se utiliza dessa habilidade para se fortalecer. Nessas redes, os centros são dinâmicos e há conexões entre todos os membros, sem a necessidade de um mediador ou distribuidor das informações. Todos os conhecimentos e contatos são compartilhados, de modo que todos têm igual oportunidade de desenvolvimento.
Segundo a Ashoka, organização mundial sem fins lucrativos que apóia iniciativas nessa área, no Brasil há 265 empreendedores sociais com atuação nas áreas de desenvolvimento econômico, meio ambiente, educação, direitos humanos, saúde e participação cidadã. No mundo, já são 1.800 empreendedores sociais espalhados por 63 países.
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