quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Enviando amor pelas cartas

Eu amo cartas! Sempre amei. Engraçado isso, porque sou de uma geração em que a maioria nunca enviou nada pelos Correios...
Tive a fase de escrever cartas para os amigos de perto, do colégio. Eram umas 5 cartas por dia, quase sempre pros mesmos amigos e amigas. Mas era muito divertido. Adorava a troca de carinho que rolava nesse gesto simples. Ah, também rolavam as fofocas, claro, em uma época que internet a eu só podia usar de fim de semana e depois da meia-noite, que pagava um só um impulso de telefone. Quando fiz meus primeiros amigos longe, comecei a bater cartão nos Correios. Mandava cartas toda semana. Depois que descobri a tal carta social (que custa R$ 0,01), virei fã.
As folhas de fichário iam quase todas para isso... também tinham os papéis de carta, mas sempre tive dó de usar. Guardei todos com muito carinho, em pastas e separadinhos por coleção. Tinha até esquecido dessas minhas relíquias e lembrei esses tempos, quando estive na Índia. Fomos a vários locais de venda de papéis artesanais lindíssimos, de uma qualidade maravilhosa e me perguntei: "será que ainda tenho os meus?". Confesso que nem lembrava se tinha dado. Quando cheguei a minha casa de Santos, fui direto procurar e lá estavam eles, guardadinhos em um dos armários. Foi muito legal rever cada um e lembrar de onde vieram... os comprados na banca perto da casa da vovó, os comprados na papelaria do Mauro, os que ganhei da minha prima Marcela (herdei toda sua coleção!).
Durante a viagem, fiquei com muita vontade de enviar postais. Enviei para meus pais, namorado, amigos, trabalho... era uma delícia escrever lembrando de cada um e imaginando os rostos deles ao receber.
Na Índia, também conheci a Sakhi, uma jovem super especial que é filha de um amigo de alguns colegas de trabalho. Ela tem 18 anos e vários sonhos e projetos. Um deles envolve enviar 100 cartas em 3 meses. Fiquei bem inspirada!
Já estávamos querendo enviar postais do Brasil para algumas pessoas que conhecemos na Índia, mas quando comecei a ver todas as fotos legais que tiramos, pensei: "por que não enviar fotos nossas com as pessoas?". A Ari topou, selecionamos 32 imagens para enviar para umas 20 pessoas que marcaram nossa temporada por lá e ela escreveu todos os envelopes e fotos com muito carinho. Muito legal! :-)


Já que a inspiração estava correndo solta, resolvi também escrever cartas para algumas amigas que moram longe e de quem gosto muito. Desenhar não é um dos meus talentos, mas até me arrisquei a fazer algumas coisinhas coloridas em todas elas. Realmente, ver coisas belas me inspira a pelo menos tentar.


As cartas me emocionam. Gosto do gosto de abrir um envelope e saber que ele veio de longe e que, ainda assim, a pessoa que escreveu tocou no mesmo papel que você está tocando agora. Acho que, desde cedo, as cartas foram o meio que encontrei para enviar amor e me sentir mais perto.

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