sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Um ser gregário

Se tem uma coisa que eu não tenho dúvida é que o ser humano é um ser gregário. Eu, então, sou um ser ultra-gregário. Nunca gostei de viver sozinha. Sempre estive rodeada de amigos. E sempre fiquei amiga dos amigos e fiz novos amigos.
Tenho amigos de muitos anos e estou sempre fazendo novos. Tenho amigos desde as barrigas das nossas mães, do pré, do ensino fundamental, do curso de inglês, da viagem de formatura do fundamental, do ensino médio, da faculdade, de projetos que participei, de projetos que coordenei, do antigo trabalho, do trabalho atual... enfim, tenho muitos amigos da vida. E faço muita questão de manter contato com eles.
Sou daquelas que manda e-mail, carta, liga, viaja só para encontrar por um fim de semana, recebe por uma semana em casa e ainda acha pouco. Sou daquelas que ama saber que está bem, que ama estar perto e ama cuidar.
Eu amo cuidar das pessoas. Por isso, eu não tenho dúvidas que sou um ser gregário.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Enviando amor pelas cartas

Eu amo cartas! Sempre amei. Engraçado isso, porque sou de uma geração em que a maioria nunca enviou nada pelos Correios...
Tive a fase de escrever cartas para os amigos de perto, do colégio. Eram umas 5 cartas por dia, quase sempre pros mesmos amigos e amigas. Mas era muito divertido. Adorava a troca de carinho que rolava nesse gesto simples. Ah, também rolavam as fofocas, claro, em uma época que internet a eu só podia usar de fim de semana e depois da meia-noite, que pagava um só um impulso de telefone. Quando fiz meus primeiros amigos longe, comecei a bater cartão nos Correios. Mandava cartas toda semana. Depois que descobri a tal carta social (que custa R$ 0,01), virei fã.
As folhas de fichário iam quase todas para isso... também tinham os papéis de carta, mas sempre tive dó de usar. Guardei todos com muito carinho, em pastas e separadinhos por coleção. Tinha até esquecido dessas minhas relíquias e lembrei esses tempos, quando estive na Índia. Fomos a vários locais de venda de papéis artesanais lindíssimos, de uma qualidade maravilhosa e me perguntei: "será que ainda tenho os meus?". Confesso que nem lembrava se tinha dado. Quando cheguei a minha casa de Santos, fui direto procurar e lá estavam eles, guardadinhos em um dos armários. Foi muito legal rever cada um e lembrar de onde vieram... os comprados na banca perto da casa da vovó, os comprados na papelaria do Mauro, os que ganhei da minha prima Marcela (herdei toda sua coleção!).
Durante a viagem, fiquei com muita vontade de enviar postais. Enviei para meus pais, namorado, amigos, trabalho... era uma delícia escrever lembrando de cada um e imaginando os rostos deles ao receber.
Na Índia, também conheci a Sakhi, uma jovem super especial que é filha de um amigo de alguns colegas de trabalho. Ela tem 18 anos e vários sonhos e projetos. Um deles envolve enviar 100 cartas em 3 meses. Fiquei bem inspirada!
Já estávamos querendo enviar postais do Brasil para algumas pessoas que conhecemos na Índia, mas quando comecei a ver todas as fotos legais que tiramos, pensei: "por que não enviar fotos nossas com as pessoas?". A Ari topou, selecionamos 32 imagens para enviar para umas 20 pessoas que marcaram nossa temporada por lá e ela escreveu todos os envelopes e fotos com muito carinho. Muito legal! :-)


Já que a inspiração estava correndo solta, resolvi também escrever cartas para algumas amigas que moram longe e de quem gosto muito. Desenhar não é um dos meus talentos, mas até me arrisquei a fazer algumas coisinhas coloridas em todas elas. Realmente, ver coisas belas me inspira a pelo menos tentar.


As cartas me emocionam. Gosto do gosto de abrir um envelope e saber que ele veio de longe e que, ainda assim, a pessoa que escreveu tocou no mesmo papel que você está tocando agora. Acho que, desde cedo, as cartas foram o meio que encontrei para enviar amor e me sentir mais perto.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Me chamaram de mamãe!

No meu trabalho, temos 3 crianças que ficam conosco todos os dias, filhas de quatro companheiros nossos, 2 casais. Por sinal, a conta vai aumentar, porque o casal que "só" tem uma está esperando o(a) segundo(a).

A Luiza, a mais nova, sempre me chama de mamãe. Como ela não fala quase nada, sempre associei que ela chama de mamãe porque é um dos únicos "nomes" ou chamamentos que ela sabe.

Por coincidência, a mãe dela também chama Mariana. Hoje, a Lia, de 4 anos (a que vai ganhar um irmãozinho/a) viu ela me chamando de mamãe e perguntou: "ela te chama de mamãe porque a mãe dela também chama Mariana?". Não é incrível? Como pode uma criança de 4 anos fazer uma associação dessas?

Demais!

Eu até fiquei na dúvida, mas depois fizemos o teste e descobrimos que a Luiza chama todas as mulheres de mamãe mesmo. E o André, também do escritório, falou que ela o chama de papai. Pois é... é pequena, com vocabulário restrito, mas sabe se virar. O mundo é dos espertos!

Ensinando coisa errada

Os mamíferos são muito mais parecidos do que os humanos acreditam.

Em casa temos 4 cachorros, 3 fêmeas e 1 macho. Cada um chegou em casa de uma maneira diferente - a primeira teve uma chegada tradicional e depois as histórias foram ficando mais inusitadas. Hoje, vimos a mais velha da casa ensinando a mais nova a fazer uma traquinagem: derrubar as almofadas no sofá no chão. Cinicamente, quando olhamos o que elas faziam, a mais velha saiu andando e deixou a mais nova sozinha.

Quem nunca fez isso com o irmão ou primo (meu caso!) mais novo?

Eu sou blogueira?

Eu sempre tive uma relação estranha com diários e agendas e isso se transportou para os blogs, quando entrei nesse mundo. Eu adoro escrever, vejo "zil" coisas interessantes durante os dias, mas acabo nunca escrevendo sobre elas aqui.
Lembro que quando era pequena admirava muito aquelas personagens de filmes e seriados que escreviam todos as noites nos seus queridos diários e queria muito ser como elas. Me esforcei várias vezes para começar um, depois comecei a tentar usar minhas agendas como diários, mas sempre acaba parando por algum motivo. Só fui mesmo encontrar uma razão para ter agenda quando comecei a seguir o exemplo da minha mãe e anotar não só compromissos, mas tarefas a fazer.
Meu primeiro blog era na verdade um fotolog, no auge dos meus 15, 16 anos. Postava religiosamente e, como só podia colocar uma foto por dia na versão gratuita, esperava ansiosamente pelo dia seguinte e me dedicava na missão de escolher a melhor imagem. Cheguei a fazer várias amizades-fotologgers, principalmente mãe e titias de bebês (sempre fui apaixonada por crianças!) e cheguei até a ter a versão paga por alguns meses. Depois, a moda passou e passou também minha vontade de postar...
Quando comecei meu primeiro blog, foi a mesma empolgação de sempre! Postando todo dia e mais que feliz com a vida de posts ilimitados. Depois, passou... e como o blog ficava abandonado por muito tempo, eu nunca mais postei. Isso aconteceu também com o segundo e eu na verdade nem sei quantos blogs tive - embora ache que foram só dois mesmo.
Esse aqui criei para uma matéria da faculdade, de jornalismo para internet, e depois acabei mantendo. Mais uma vez, como não tinha paciência pra postar sempre e ninguém acessava, abandonei, porque não me considerava de fato blogueira. Mas agora estou pensando que talvez seja legal postar só algumas vezes mesmo, quando tiver vontade e inspiração, sem me preocupar com leitores, mas com minha vontade de escrever, me expressar e também para poder ler esses conteúdos no futuro e relembrar como fui um dia. Acho que ter registros de momentos em que estamos inspirados (seja textos, fotos, desenhos, etc) nos ajuda a nos aproximar de nós mesmos nos momentos em que nos sentimos um pouco perdidos...
Esse é o post número um desse recomeço.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

domingo, 31 de maio de 2009

Um olhar (ou meu quase-assalto)

Quarta-feira aconteceu uma coisa mágica, graças a um olhar.
Fiquei bem nervosa com umas coisas bem bobas e fui sentar na praia pra espairecer, quase na divisa entre Santos e São Vicente. Eram umas 17h30 e tinha que fazer hora pra ir pra facul. Sentei num banquinho, comecei a organizar minhas coisas, minha agenda. Combinei com uma amiga de irmos tomar lanche juntas, ela ia me buscar. Dois rapazes saíram da ciclovia, claramente pra me assaltar.
Um passou e o outro parou do outro lado do banco. Comecei a rir. Tava calma, mas tive crise de riso. O rapaz que havia passado por mim me olhou muito bravo. Tirou satisfação "Tá olhando o que, moça?". Olhei pra ele, tive um pouco de medo, mas abri um sorriso. "Estou olhando você", respondi. Ele continuou bravo. Veio em minha direção - nesse momento vi que o outro garoto estava me cercando, fiquei assutada, mas me segurei pra disfarçar. Continuei sorrindo. "A gente veio aqui pra te roubar". "Tudo bem", respondi, olhando nos olhos dele. A expressão mudou.
- Moça, o que você está fazendo aqui?
- Tô pensando na vida. Estava muito nervosa e vim esfriar a cabeça.
- A gente veio te roubar, mas não vai mais te roubar não.
Comecei a rir denovo. Dessa vez, era medo mesmo.
- Porque você olhou pra gente. Ninguém nunca olhou pra gente.
Comecei a chorar muuuito!
- Calma, moça, a gente não vai te roubar não. A gente ia botar a arma na tua cabeça e levar teu celular, mas não vai mais não.
Comecei a chorar muito mais, claro. Quis perguntar se eles tavam armados mesmo, mas achei que podia ser abuso demais.
- Onde vocês moram? - perguntei eu. E, a partir daí, começou uma conversa longa. Os meninos ficaram uns 15 minutos comigo. Contaram seus nomes, contaram que moram no Catarina. Um deles tinha 21 anos e passou 2 anos e 4 meses na cadeia. O outro, não contou a idade, mas era bem novinho. Eu parava e recomeçava a chorar.
- Você tá vindo da escola?
- Não, tô indo pra faculdade.
- Nossa, moça, mas vc tá muito nervosa. Você não pode ir pra aula. Quer que a gente te leve em casa?
- Não, brigada, preciso ir pra faculdade...
- Então pára de chorar, se não a gente vai te roubar! - eu olhei assustada, eles deram risada.
- Por que vocês roubam?- Porque a tentação a grande.. e o dinheiro é pouco.
Contei pra eles que trabalho com desenvolvimento de comunidades. Pedi um contato deles, que disseram que tinham medo de eu denunciá-los à polícia. Ofereci meu e-mail, eles aceitaram. Eles iam me roubar e eu via ali dois meninos tão bons. Só pensava em como podia mudar a vida deles. E tô com isso na cebça até agora...
Hoje vi o vídeo de uma campanha chamada Girl Effect www.girleffect.org . Tem só 2 minutinhos e mostra o quanto mudar a vida de uma menina pode mudar o futuro de toda a humanidade. Lembrei deles denovo. E vou lembrar por muito tempo ainda... Se só um olhar muda uma vida, imagina o poder que temos quando nos propomos a fazer mais.