sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Café é amor

Assim que entrei na rua do Elos, sorri com o cheirinho de café. Sabia que não estava tão perto - nasci humana, mas com um faro de cachorra (ou loba?).  Sorri sem querer - até levei alguns segundos pra entender.
Café me traz tantas memórias...
Lembro da minha vó e do meu vô e das quantas garrafas de café melado que nasciam e secavam ao longo do dia. Lembro da minha mãe chegar cansada do trabalho e sentar comigo ainda criança pra tomar lanche e partilhar uma xícara - naquele tempo, papai só tomava com leite; hoje mudou. Quando comecei a estudar, trabalhar e estagiar... lascou de vez! Virou companheiro inseparável. Naquele tempo, qualquer café bastava - mas, sem açúcar, por favor.
Os cafés mais felizes (e agoniantes também, por que não?) vinham em meio às conversas que falavam sobre nossos sonhos de mundo. Quantos cafés na casa da Maíra - sempre acelerada e balançando seu cigarro, com a Maria​, na padaria, depois de deixar o João​ na creche, ou no Camará com Vanessa​, Adriana​ e Dani​ (que me levaram a conhecer o Guerreiros Sem Armas​). Lembro do café que descia gostoso, mas ficou amargo na manhã que o Choque invadiu a ocupação da reitoria...
Quando morei em São Paulo, peguei gosto por fazer café todo dia de manhã, na prensa francesa. Depois de um tempo, até moíamos os grãos. Eu adorava o ritual. Quando voltei pra Santos, foi hora de ressignificar. Ano passado, no meu aniversário, a Clarissa​ me deu uma daquelas "italianinhas", e a gente criou o nosso ritual: comprar cafés bem gostosos e fazer nos dias especias, quando temos tempo e tranquilidade para colocar a mesa e desfrutar, seja de manhã ou de tarde - tá, eu, às vezes, também faço uma dose pra dar energia pra madrugada.
Hoje, quando entrei no Elos, o cheiro aumentou. Era dali, das mãos da dona Nininha, que tanto nos cuida, que surgiu o café, recém-finalizado. O sorriso aumentou. Nessa semana de tanta nostalgia e reflexão, sou grata pelos cafés de cada dia e por todas e todos que partilham comigo seus cafés, carinho e cuidados. Sou grata pela vida! Èpa Bàbá! 

domingo, 18 de maio de 2014

Dos dias que a alegria está escondida

Tem dias que a alegria se esconde de nós. Eu não acho que ela falta, acho que ela se esconde mesmo, num lugar bem difícil de reencontrar.
Pra mim, nesses dias, nada tá bom. Se estou numa festa, está ruim, se estou em casa, tá ruim, se vejo um filme, tá ruim, se como algo, tá tuim. Isso é muito ruim.
Sexta-feira alguém machucou meu coração, e o que mais me magoa é que essa pessoa se quer respondeu minhas tentativas de contato; me deixou sozinha e sem porquê. Minha reação normal é buscar mil explicações do que eu fiz. No meu mundo, a culpa é sempre minha. Eu sei que isso não me fez NADA bem, mas essa é minha tendência natural.
Sexta assumi o exercício de tentar fugir disso. Não vou dizer que funcionou 100%, mas valeu a tentativa. O chocolate, o vinho e a tapioca deliciosos ajudaram. Ao invés das várias opções que eu tinha de passeio, fui dormir perto das 22 horas...
Mas acordar no sábado foi um desafio. O despertador tocou às 5h, porque eu tinha que estar cedinho no Extremo Sul de São Paulo. Mas eu não consegui levantar. O coração estava molinho, querendo ficar embaixo das cobertas, e os sonhos estranhos da noite chacoalhavam as ideias e os sentimentos. Resolvi me ouvir. Mas uma vez, sabia que iria querer me culpar depois, mas achei que eu merecia esse ato de amor próprio. Dormi mais.
Mais tarde, fui com um amigo (para o qual num ato de ligeirice escrevi em uma das acordadas rápidas da manhã) de carona para um evento em São Paulo, de onde seguiria para a Virada Cultural. Eu adoro a Virada Cultural! Adoro estar na rua, adoro música, adoro shows. Mas aquele dia, eu sentia dentro de mim que seria daquelas noites em que tudo tá ruim. Em outros tempos, eu me forçaria a ficar. Porra, eu não podia perder a Virada Cultural! Mas eu vim embora.
Voltei pra Santos de carona, desfrutando de um bom papo, chegando em casa e encontrando meus cachorros (coisa que parará de acontecer, pois vou me mudar), assistindo 3 episódios de How I Met Your Mother (tá acabando!! s9e10), encontrando minha nova companheira de casa para um brinde com vinho e brigadeiro e indo dormir antes da meia-noite em um sábado de Virada Cultural.
Será que eu perdi, ou será que eu ganhei? Eu só sei que, ao acordar, meu primeiro pensamento foi: ca-ra-lho. Não é que é verdade essa história de que nada como uma noite bem dormida?
Já, já, "darei" a primeira aula de produção de texto de algumas para uma amiga. Eu havia pedido para ela me mandar um texto que a inspire, e ela me mandou esse aqui. Conheci a Eliane Brum tempos atrás, ainda na faculdade, e me impressionou muito ver tanta força em suas histórias. Eliane, eu hoje tô quebrada - ainda tô. Mas e daí? A vida, os amigos, as vivências tão aí pra ajudar a gente. Tudo bem que fiquem algumas marcas.
Hoje tem festa de 2 anos da Nina, uma criança que eu acompanhei desde o comecinho da gestação, vi nascer e vejo crescer bem de pertinho. Eu provavelmente não conseguiria estar se tivesse ficado em São Paulo e, com certeza, não conseguiria ajudar na festa. Eu também não conseguiria comprar o desodorante sem alumínio que quero comprar há tempos, mas que nunca compro pois não consigo ir nas feiras de orgânicos onde vende, aqui em Santos.
Eu perdi ou ganhei? Aliás, o que é perder ou ganhar?
...
Uma das coisas que eu perdi na Virada foi ver o Otto de perto mais uma vez, mas eu não estava na minha melhor versão para encontrá-lo. A gente se vê em breve, amor.
"Como um bom barco no mar
Eu vou, eu vou"
http://www.vagalume.com.br/otto/saudade.html

segunda-feira, 17 de março de 2014

Uma cama compartilhada

Ao entrar no quarto para dormir não é raro me questionar: será que tem espaço para mim? Eu adoro dormir abraçada a um travesseirinho pequeno. Gosto tanto que, na falta de um, tenho dois. A verdade verdadeira é que tenho dois porque até um ano atrás eu viva em duas casas, e quando voltei definitivamente pra Santos, nem pensei em me desfazer de um. Pois bem, chego no quarto e tcharam: cada cachorra deitada em cima de um - pra ser bem descritiva, Doris Day em um deles e Ariel ocupando o outro, um travesseiro grande e uma almofada (sim, é possível um cachorro de médio porte ser espaçoso desse jeito!).

"É só pegar", pensariam muitos, mas quem me conhece sabe que eu não atrapalharia o sono de nenhuma das duas pra dormir mais confortável. "Tudo bem", pensei; e me convenci de que eu tinha que escrever sobre isso. A história é boa, faz parte do meu dia a dia e há meses eu quero voltar a escrever e nunca começo. Tá aí, faca e queijo na mão. Decidi, então, tirar foto da cena. Enquanto eu guardava o celular depois das fotos, Doris se levanta e vem deitar no meu travesseiro. Ah não! Aí já é demais, né? Corri e consegui ser mais rápida.

Ao mesmo tempo, Cyndi Lauper, que não é boba, nem nada, também se agilizou e conquistou o travesseirinho. Doris, que quis ser gulosa, ficou chupando o dedo. Mentira. O que ela fez mesmo foi se consolar deitando em minhas pernas.


E todas dormimos felizes.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Sai, baixo-astral!

Juro: hoje tô dando um doce pra quem me deixar de bom humor (ou uma cerveja, ou 10 reais, à escolha do freguês).

Essa semana tá puxada... aff!

Comecei a quarta-feira cortando o dedo num cortador de pizza. Teve dança circular no trabalho no meio da tarde - com direito a amigos, sorrisos, calor e alegria. Terminei à noite esperando horas pelo namorado, mas com a janta pronta e o sorriso no rosto. Foi um orgulho pra mim! Luto bravamente (e a todos os momentos!) contra meu mau humor e vibro de alegria quando venço essas pequenas lutas. E eu, que não sou de cozinhar, fiz um strogonoff de soja bem gostoso e arrasei na minha primeira tentativa de fazer arroz integral.

A quinta-feira começou parecida, cortando a mão na garrafa de vidro linda (LINDA, LINDA!!) que a gente tinha em casa e que eu estourei ao esquecer gelando água no congelador. E eu sou uma pessoa nada compadecida de mim mesma. Não suporto errar, não suporto meus erros... levo dias para me perdoar por cada coisinha que faço fora de minhas expectativas ou da expectativa dos outros.

Procurei outra na internet (meu namorado a ganhou de presente da tia, 5 - CINCO - anos atrás). Achei um vendedor no Mercado Livre. Comprar ou não comprar? Decidi comprar. Escrevi para o cara e a resposta? Já despachei para outra pessoa! Oi?!?

A sorte nisso é que havia falado antes pro namorado que queria comprar e ele disse "não precisa, é até uma chance de mudar". Quando li o e-mail do cara, essa frase do namorado me salvou do surto.

A sexta veio no mesmo ritmo... logo cedo, no trabalho, uma amiga teve uma crise com algo realmente importante... foi hora de respirar, dar força. Mas, claro, que o destempero também passou pra mim. Aí... esqueci que tinha um exame na hora do almoço (e eu lembrei disso to-dos os di-as desde que marquei). Lembrei quando estava servindo meu prato no almoço.

Corri! UFA! Corri muito! Tive dois minutos pra fazer a guia do convênio e a médica foi embora antes mesmo de eu terminar de me ajeitar. Fiquei feliz porque o resultado já saía hoje mesmo e não ia precisar buscar.

Na saída, peguei meu mp3 novinho, que virou meu companheiro de aventuras desde que o comprei (2 semanas atrás, e ainda nem paguei) e guardava com o maior carinho em uma bolsinha que ganhei feita à mão por uma minha amiga super talentosa e pensei: "Eba! Agora posso escutar música tranquila... não tenho mais pressa". Não o liguei.

Passei no Super Centro para dar uma olhada em opções de garrafa de água nova pra minha casa. Gostei muito de duas! Fiquei tão feliz! Realizei que nem tudo está perdido.

E, saindo de lá, percebi que não estava nem escutando música e nem sabia onde estava meu querido radinho. :( Perdi!

Voltei todo o caminho, fui nas 3 lojas em que entrei, no laboratório - sala de espera, recepção, mesa de atendimento, balcão do protocolo, sala de exame, banheiro... e nada. Puta merda!

Ao mesmo tempo, aconteceram várias coisas legais essa semana, além das que já citei. É foda! Eu vivo sempre nos altos e baixos. Meu maior desafio é sempre valorizar o que vale a pena e relevar o que acontece de ruim. Eu juro que tô tentando...

Escrever sobre isso, inclusive, é uma tentativa. Conversando com minha terapeuta (comecei a terapia há pouco mais de um mês), percebi o quanto é importante para mim escrever. O quanto me acalma, me ajuda a organizar os pensamentos... se é difícil falar sobre, vou começar a recorrer mais à escrita.

E que venha a fatura do cartão de crédito onde vou pagar o mp3 que nunca mais verei. Tá bom.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

A experiência de comer

Quarta passada foi um dia especial.

No fim da tarde, fizemos uma ação chamada Choque de Amor, em Santos, em que vamos em um grupo de pessoal para um sinal movimentado e, quando o sinal fecha, atravessamos distribuindo abraços para as pessoas que passam pelo local. Foi lindo. Lindo demais. E emocionante, claro. Saí com a energia nas alturas.

Depois, iria para o maracatu, mas acabei decidindo por aceitar o convite de um amigo, o Shima, e ir conhecer o restaurante Guaiaó, que abriu no fim do ano em Santos. É mais que comer bem. Os donos do local apresentam o jantar como uma experiência gastronômica e foi bem assim mesmo...

A equipe é super atenciosa e está o tempo todo de olho, verificando se estamos bem, se precisamos de algo, dá dicas na escolha dos pratos, explica cada detalhe. O deleite vem do comer, mas também do vivenciar todo aquele momento, as companhias.

Pensando naquele jantar, só uma coisa me vem a cabeça: a gente só faz bem o que ama fazer. E aqueles caras amam muito aquele restaurante. Sorte nossa!

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Nossa música

"E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música". Nietzsche

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Coisas que não quero fazer com as crianças

Hoje fui almoçar com uma amiga numa padaria que gosto muito e também tem restaurante. Chegamos, sentamos e pouco depois chegou uma família - mãe, pai e dois filhos meninos - e sentou na mesa colada na nossa.

Eles já chegaram meio tumultuados. Dava pra ver que não rolava um clima muito harmônico. Uma das crianças gritava o tempo todo - bem na orelha da minha amiga, por sinal.
Em um dado momento, escutei o pai falando pro menino mais novo, de uns 5/6 anos: "Não, não, não. Então vc me dá o Iphone que te dou o celular". A mãe também reclamou alguma coisa com o menino e, então, dei uma olhadinha de lado para ver o que estava rolando.

Percebi que eles aguardavam a comida e o couvert estava na mesa mas, ao invés de beliscarem ou conversarem entre si, cada um estava entretido com alguma coisa diferente. A mãe, ao mesmo tempo em que reclamava com o filho por querer usar um dos aparelhos eletrônicos, nem olhava para ele, pois não tirava o olho do celular onde checava os e-mails.

Fiquei tão chocada... acho horrível quando as pessoas brigam com as crianças no piloto automático, sem olho-no-olho, sem observar sua reação, sem garantir que elas realmente estão entendendo o que aconteceu e porquê estão sendo repreendidas.

1 - Os momentos de refeição não deveriam ser de tranquilidade, contemplação?
2 - Os momentos em família não deveriam ser para aproveitar as companhias?
3 - Alguma dúvida que as crianças reproduzem exemplos?
4 - Alguém acha que essa criança vai mudar de comportamento?