domingo, 18 de maio de 2014

Dos dias que a alegria está escondida

Tem dias que a alegria se esconde de nós. Eu não acho que ela falta, acho que ela se esconde mesmo, num lugar bem difícil de reencontrar.
Pra mim, nesses dias, nada tá bom. Se estou numa festa, está ruim, se estou em casa, tá ruim, se vejo um filme, tá ruim, se como algo, tá tuim. Isso é muito ruim.
Sexta-feira alguém machucou meu coração, e o que mais me magoa é que essa pessoa se quer respondeu minhas tentativas de contato; me deixou sozinha e sem porquê. Minha reação normal é buscar mil explicações do que eu fiz. No meu mundo, a culpa é sempre minha. Eu sei que isso não me fez NADA bem, mas essa é minha tendência natural.
Sexta assumi o exercício de tentar fugir disso. Não vou dizer que funcionou 100%, mas valeu a tentativa. O chocolate, o vinho e a tapioca deliciosos ajudaram. Ao invés das várias opções que eu tinha de passeio, fui dormir perto das 22 horas...
Mas acordar no sábado foi um desafio. O despertador tocou às 5h, porque eu tinha que estar cedinho no Extremo Sul de São Paulo. Mas eu não consegui levantar. O coração estava molinho, querendo ficar embaixo das cobertas, e os sonhos estranhos da noite chacoalhavam as ideias e os sentimentos. Resolvi me ouvir. Mas uma vez, sabia que iria querer me culpar depois, mas achei que eu merecia esse ato de amor próprio. Dormi mais.
Mais tarde, fui com um amigo (para o qual num ato de ligeirice escrevi em uma das acordadas rápidas da manhã) de carona para um evento em São Paulo, de onde seguiria para a Virada Cultural. Eu adoro a Virada Cultural! Adoro estar na rua, adoro música, adoro shows. Mas aquele dia, eu sentia dentro de mim que seria daquelas noites em que tudo tá ruim. Em outros tempos, eu me forçaria a ficar. Porra, eu não podia perder a Virada Cultural! Mas eu vim embora.
Voltei pra Santos de carona, desfrutando de um bom papo, chegando em casa e encontrando meus cachorros (coisa que parará de acontecer, pois vou me mudar), assistindo 3 episódios de How I Met Your Mother (tá acabando!! s9e10), encontrando minha nova companheira de casa para um brinde com vinho e brigadeiro e indo dormir antes da meia-noite em um sábado de Virada Cultural.
Será que eu perdi, ou será que eu ganhei? Eu só sei que, ao acordar, meu primeiro pensamento foi: ca-ra-lho. Não é que é verdade essa história de que nada como uma noite bem dormida?
Já, já, "darei" a primeira aula de produção de texto de algumas para uma amiga. Eu havia pedido para ela me mandar um texto que a inspire, e ela me mandou esse aqui. Conheci a Eliane Brum tempos atrás, ainda na faculdade, e me impressionou muito ver tanta força em suas histórias. Eliane, eu hoje tô quebrada - ainda tô. Mas e daí? A vida, os amigos, as vivências tão aí pra ajudar a gente. Tudo bem que fiquem algumas marcas.
Hoje tem festa de 2 anos da Nina, uma criança que eu acompanhei desde o comecinho da gestação, vi nascer e vejo crescer bem de pertinho. Eu provavelmente não conseguiria estar se tivesse ficado em São Paulo e, com certeza, não conseguiria ajudar na festa. Eu também não conseguiria comprar o desodorante sem alumínio que quero comprar há tempos, mas que nunca compro pois não consigo ir nas feiras de orgânicos onde vende, aqui em Santos.
Eu perdi ou ganhei? Aliás, o que é perder ou ganhar?
...
Uma das coisas que eu perdi na Virada foi ver o Otto de perto mais uma vez, mas eu não estava na minha melhor versão para encontrá-lo. A gente se vê em breve, amor.
"Como um bom barco no mar
Eu vou, eu vou"
http://www.vagalume.com.br/otto/saudade.html

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