quarta-feira, 30 de maio de 2007

Ó, mundo tão digital.. ops, desigual!


“Ó, mundo tão desigual
Tudo é tão desigual ôôôô
De um lado este carnaval
Do outro a fome total ôôôô”
Gilberto Gil
Difícil querer priorizar o acesso total à internet quando sabemos que há pessoas que não tem acesso a casa, comida, água. Mas como ignorar o que já foi iniciado? A inclusão digital já foi tomada como uma necessidade, até o Governo já possui projetos para que todos tenham este direito. A dúvida que fica é: como incluir digitalmente os excluídos socialmente? Não estaríamos pulando etapas?
Está mais do que provado que o Brasil ainda não absorveu essa nova realidade tecnológica. Os membros das classes A e B (24% da população) detém 90,7 do uso da internet – fica um abismo entre os números, e quanto mais procuramos a distância só aumenta. Por que isso? Alguns não acessam a internet por não ter computador em casa e nem em nenhum local perto, outros não acessam porque... ahn... porque não tem casa. E essa é apenas uma das barreiras.
Não estou dizendo que a exclusão digital não é um problema. Afinal, seria fácil afirmar isso enquanto digito tranqüilamente após checar meus e-mail, ver as mensagens dos amigos no Orkut, as notícias importantes do dia nos grandes portais de informação e pesquisar dados para construir esse texto. O problema é que é um círculo vicioso. “A exclusão sócio-econômica desencadeia a exclusão digital ao mesmo tempo que a exclusão digital aprofunda a exclusão sócio-econômica.”, diz o professor e doutor em Ciências da Comunicação Antonio Mendes Filho em um artigo para o site Espaço Acadêmico.
A questão é complicada e não há mais volta. Não dá para esquecer a modernização e voltar ao passado para alcançar a igualdade. O jeito é mesmo arranjar uma maneira de prover a todos o que já é a realidade de alguns.
Como li em um artigo do jornalista Paulo Rebêlo, “inclusão digital significa, antes de tudo, melhorar as condições de vida de uma determinada região ou comunidade com ajuda da tecnologia”. A tecnologia deve ser usada para o bem de todos, foi para isso que ela foi criada. A política da inclusão digital é válida e necessária, mas deveria haver também uma política de bom uso, já que os internautas usam a internet muito mais como simples entretenimento do que como forma de interligar-se com o mundo além de seu próprio umbigo.


* A ilustração é uma charge feita pelo site Humor Tadela e foi utilizada em um artigo do professor Antonio Mendes da Silva Filho, que teve trecho de outro artigo citado no texto.

Um comentário:

Lucas Mantovani disse...

Marii!

Po vc nem me fala q tem blog, e eu aqui alheio, sem ter oq fazer!
acho blog uma puta iniciativa legal (como pode-se ver no meu profile do orkut), sempre q vc postar eu dou uma olhada, te prometo!

E sim, a exclusão digital é um grande problema, mas eu não acredito q seja um dos maiores, acho q ainda tem muito chão pela frente para podermos pensar melhor nisso. Achei aquela solução de melhorar a vida das pessoas usando a tecnologia, muito viável, isso daria uma agilidade absurda a todos os projetos sociais!

bom acho q só...parabéns mari e post as suas reportagens de toda a semana, vai ser em legal!

Mas não esqueça dos outros assuntos também!

bjão! =**